Na Semana Nacional da Engenharia aconteceu o seminário de Engenharia de geração de energia em que esteve presente Ney dos Santos, presidente da ENBPar; Wilson Ferreira Júnior, ex-presidente da Vibra, Eletrobras e CPFL; Marcia Costa, gerente geral de engenharia de superfície da Petrobras; Guilherme Susteras, coordenador de geração distribuída na Absolar e Ruy Camargo, presidente do conselho consultivo do Instituto de Engenharia.
O seminário ocorreu em 29/08/24.
Quando se fala em energia, somos imediatamente remetidos aos nossos aprendizados do ensino fundamental, onde aprendemos sobre as fontes renováveis e não renováveis. Neste seminário foram abordadas três das fontes: Petróleo, Energia Solar Fotovoltaica e Energia Nuclear.
No que diz respeito ao petróleo, o foco esteve na Petrobras e seu atual desafio de produzir petróleo de maneira mais limpa. Isso é extremamente complexo, já que a extração e queima de petróleo resultam em altas emissões de metano e CO₂. A empresa tem adotado diversas ferramentas, como o Indicador de Gases de Efeito Estufa (IGE), para monitorar e tentar mitigar as emissões em suas plataformas, com a expectativa de atender a demanda energética crescente de forma mais sustentável.
Um dos projetos adotados é o ciclo combinado, onde a energia gerada pelo vapor de um tubo gerador complementa a produção de eletricidade. A ideia de um “petróleo descarbonizado”, que provavelmente valerá mais no mercado futuro, é uma tendência global que impulsiona os esforços, não apenas pelo seu fator sustentável, mas pelo econômico também.
A transição energética está intimamente ligada ao avanço da energia solar. Embora outras fontes continuem desempenhando um papel relevante de complementariedade da matriz energética, espera-se que até 2050 a energia solar seja a principal fonte de eletricidade no Brasil. Ela deixará de ser uma fonte de tecnologia experimental para ser uma figura de protagonismo mundial.
A instalação de sistemas solares é possível em quase todos os municípios do Brasil, e é muito importante para os engenheiros, já que gera empregos locais e movimenta a economia, sendo que cada real investido em energia solar gera três reais na economia local. Contudo, a questão da compensação de tarifas foi mencionada: consumidores que geram sua própria energia deixam de contribuir para a concessionária, o que impacta os custos dos demais. Felizmente, uma nova legislação a ser implementada até 2029 busca corrigir esse desequilíbrio.
A energia nuclear, por sua vez, ainda enfrenta desafios de aceitação pública, mas apresenta grande potencial. A base dessa tecnologia é a fusão nuclear, que possui alta eficiência energética. Atualmente, o mundo conta com 440 reatores em operação, com mais 50 em construção, incluindo um no Brasil. Projetos de pequenos reatores também estão sendo desenvolvidos para atender demandas específicas, como as plataformas da Petrobras.
Apesar dos avanços na busca por fontes de energia mais limpas, o Brasil ainda enfrenta desafios ambientais. Embora tenha a matriz energética mais limpa do mundo em termos percentuais, com quase 90% de energia proveniente de fontes renováveis, o país ainda é o sexto maior emissor de gases de efeito estufa, devido principalmente ao desmatamento ilegal.
