O seminário de habitação e construção industrializada ocorreu durante a Semana Nacional da Engenharia, contando com a presença de Maria Teresa Diniz, diretora de projetos e programas da CDHU; Íria Licia Doniak, presidente executiva da ABCIC; João Crestana, engenheiro do ano de 2011 e Ivan Whately, vice-presidente de atividades técnicas do Instituto de Engenharia.
O seminário aconteceu em 26/08/24.
Para uma engenharia e arquitetura voltada à industrialização precisamos de estratégias bem definidas que garantam eficiência e qualidade. Como destacou Maria Teresa Diniz, é perigoso pensar que a industrialização e o uso de ferramentas como o BIM resolvem tudo, podemos até ter um projeto industrializado, mas se a arquitetura for mal executada, acabaremos apenas reproduzido erros em larga escala. Diante disso, surge uma questão central: quais são os desafios de implementar essa construção industrializada, e quais são os ganhos associados?
Ao falarmos de construção industrializada, muitas vezes nos referimos à construção modular, onde módulos são produzidos industrialmente e montados nos canteiros de obras. Esses módulos podem ser 2D, painelizados, ou 3D, com o módulo totalmente pronto. O primeiro desafio surge aqui: no Brasil, a construção 2D parece ter mais viabilidade atualmente, pois a construção 3D enfrenta barreiras logísticas, visto que transportar módulos completos pelo país esbarra em estradas e rodovias que não oferecem suporte adequado ou não alcançam determinadas regiões.
Outro desafio importante é a produtividade, que a construção
civil já enfrenta há muito tempo devido à escassez de mão de obra qualificada, tanto intelectual, quanto operária. Assim como discutido no painel “Avanços tecnológicos e promoção da educação e aprendizagem”, onde se destacou a falta de novas gerações entrando no setor, dificultamos a viabilidade desses projetos.
Um terceiro fator é a diversidade de bioclimas no Brasil, pois como podemos encontrar soluções arquitetônicas que sejam eficientes para essa diversidade climática e urbanística, utilizando tecnologia avançada?
Segundo pesquisa realizada pela McKinsey, pela qual 510 empresas foram perguntadas, 64,5% já utilizaram sistemas construtivos industrializados, então vemos um movimento para utilização desse sistema e o motivo é a mão de obra que está ficando cada vez mais cara.
Conseguimos ter de exemplo o projeto de escolas pré-fabricadas da Prefeitura do Rio de Janeiro, que demonstrou várias vantagens na gestão da obra, eliminando a necessidade de aditivos contratuais, além de que, ao utilizar lajes protendidas pode otimizar o espaço, permitindo a criação de milhares de novas vagas escolares.
Nesse contexto, a sustentabilidade, muitas vezes limitada ao aspecto ambiental, deve ser vista de forma mais ampla, como um tripé: social, ambiental e econômica. Como observou Íria Licia Doniak, não adianta uma solução bem elaborada se ela não for economicamente viável ou não atender à dimensão social da sustentabilidade.
Por fim, entra a questão do BIM. Para que a construção industrializada seja realmente eficaz, é essencial que a arquitetura e a engenharia sejam desenvolvidas com esses sistemas em mente. É extremamente relevante, principalmente quando colocamos em número, por exemplo, em projetos de habitação popular, em que o impacto de 8% no custo final da obra é extremamente significativo.
