Na Semana Nacional de Engenharia contamos com o seminário de hotéis e resorts, com a participação de Rômulo Silva, diretor de desenvolvimento de franquias da Rede Accor; Thomas Michaelis, CEO da Michaelis Arquitetos e Alfredo Savelli, ex-presidente do Instituto de Engenharia.
O seminário ocorreu em 28/08/24.
O Brasil recebe cerca de 7 milhões de turistas estrangeiros anualmente, um número ainda pequeno em comparação com destinos como a Espanha, que atrai 70 milhões de visitantes, ou a própria Torre Eiffel, que sozinha recebe 9 milhões de visitantes estrangeiros por ano. Entre os fatores que limitam o fluxo de turistas para o Brasil estão as questões de reciprocidade de visto, limitações na malha aérea e as grandes distâncias dentro de um país de dimensões continentais. Entretanto, o número de turistas internacionais cresce gradualmente, a pequenos passos. No primeiro semestre de 2024, dos 3 milhões de turistas estrangeiros que vieram ao país, 17% eram chineses, e esse público tem aumentado, principalmente em razão de investimentos chineses em infraestrutura e construção civil. Então o Brasil precisa estar preparado para isso, porque se das 300 milhões de pessoas que viajam pelo mundo, se 1% desse público vir pro Brasil, já temos quase 50% a mais do que a gente recebe no Brasil o ano todo.
Por outro lado, o turismo interno apresenta um grande potencial. À medida que o poder aquisitivo da população aumenta, há uma oportunidade crescente para o desenvolvimento de destinos nacionais. A Accor, empresa francesa no ramo, tem 550 mil quartos no Brasil, incluindo desde o econômico Ibis até hotéis de luxo. De Ibis há 200 operações atualmente, 70 hotéis em construção ou planejamento, e o o plano é até 2028 ter mais 130. É uma marca que vem crescendo muito, especialmente no Nordeste, onde os turistas preferem gastar 300 reais ao invés de 1500 em um resort e ter mais oportunidade de aproveitar de fato o destino.
De forma geral, as regiões mais promissoras do Brasil, que não estão sendo atendidas de forma consistente, atualmente são: interior de São Paulo, interior de Minas Gerais e interior de Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso.
A presença de plataformas como o Airbnb gera uma competição para o setor hoteleiro que afeta, sobretudo, os destinos de lazer. Esse modelo de hospedagem costuma atrair famílias e grupos maiores, que geralmente permanecem por períodos mais longos, como uma semana, e buscam flexibilidade. Em contrapartida, o público corporativo, típico das redes econômicas como o Ibis, prefere a conveniência e o suporte integral que um hotel oferece para estadias curtas de um ou dois dias, como o café da manhã pronto e a resolução imediata de qualquer necessidade.
Além disso, o crescimento de acomodações alternativas, como o aluguel de curta temporada em plataformas online, reflete um histórico de desafios financeiros no setor, a falta de funding, que impulsionou modelos como o “flat” e o “condohotel”, pelos quais incorporadoras vendem quartos em frações para múltiplos proprietários. Mais recentemente, surgiram os empreendimentos de multipropriedade, mas nem todos seguem um padrão de qualidade, e algumas empresas se aproveitam desse mercado para desenvolver projetos de baixa qualidade em destinos de menor visibilidade. Esses empreendimentos priorizam a venda inicial de unidades, deixando a operação hoteleira como um aspecto secundário, o que afeta a profissionalização e a qualidade do setor como um todo.
O setor hoteleiro brasileiro conta com um mercado considerável para hotelaria econômica, mas há ainda baixa profissionalização, apenas 200 mil quartos são de hotéis de rede, representando menos de 40% da oferta, sendo 37% de marcas internacionais. Isso contrasta com mercados mais maduros como os EUA, onde 93% dos hotéis são operados por redes.
