Brasil | As altas temperaturas típicas do verão brasileiro podem influenciar diretamente o desempenho de materiais utilizados em obras. No caso da impermeabilização, o calor excessivo pode comprometer a aplicação e reduzir a durabilidade dos sistemas quando não são adotados cuidados técnicos adequados. A temperatura elevada do substrato, comum em superfícies expostas ao sol, altera o comportamento de alguns produtos e exige ajustes na execução do serviço.
Segundo Francisco Puente, do departamento técnico do Grupo Soprema, o principal ponto de atenção está na diferença entre a temperatura ambiente e a temperatura real da estrutura onde o material será aplicado. “Muitas fichas técnicas indicam aplicação entre 0 °C e 35 °C, mas na prática o substrato exposto ao sol pode atingir temperaturas muito superiores. Esse cenário interfere diretamente na forma como o sistema de impermeabilização reage durante a aplicação”, explica.
Alguns sistemas são mais sensíveis ao calor do que outros. Impermeabilizações que dependem de cura ou evaporação de água, como as cimentícias e as membranas líquidas acrílicas, podem sofrer com a secagem acelerada provocada pelas altas temperaturas. Nesses casos, há risco de formação de bolhas, fissuras por retração e perda de aderência, já que a evaporação pode ocorrer mais rapidamente do que o desejado, comprometendo a cura adequada dos produtos e afetando sua performance.
Por outro lado, sistemas pré-fabricados, como mantas asfálticas ou sintéticas em PVC, tendem a sofrer menos influência do calor no processo de aplicação. “Esses materiais já chegam prontos ao uso, com espessura controlada e sem depender de processos de cura por evaporação. Por isso, costumam apresentar menor sensibilidade às variações de temperatura durante a instalação”, afirma Puente.
Além da escolha adequada do sistema, a adaptação das práticas de obra também é fundamental. O Brasil apresenta uma grande diversidade de climas regionais, o que exige que cada projeto considere as condições locais. “Aplicações no Sul do país podem ter desafios diferentes das obras no Nordeste, por exemplo. É importante avaliar temperatura, incidência solar e ventilação antes de definir a estratégia de aplicação, na qual deve-se considerar o conhecimento e a expertise da mão de obra regional para a aplicação de certos sistemas”, diz o especialista.
Entre as medidas recomendadas estão priorizar a aplicação em horários mais amenos, como no início da manhã, à noite ou até na madrugada, além de proteger a área contra insolação direta e vento quente. Em sistemas cimentícios, pode ser necessário umedecer o substrato para evitar perda rápida de água, sempre respeitando as orientações do fabricante.
“Em um país tropical e com diferentes climas, entender como o calor afeta os sistemas de impermeabilização é essencial para garantir desempenho e durabilidade. Ajustar a escolha do produto e as condições de aplicação é o que evita falhas futuras na proteção da estrutura”, conclui Puente. Fonte: Material enviado pela Agência 2PRÓ Comunicação e publicado na íntegra | Imagem: Grupo Soprema
