Brasil | A ConVisão CNC organizou por segmento as propostas registradas no Tribunal Superior Eleitoral por candidatos à presidência em 2026 referentes a rodovias, ferrovias, portos, mobilidade, habitação, saneamento, energia e outras áreas relacionadas à engenharia e à construção. Para as empresas que atuam em engenharia, construção, projetos, equipamentos e serviços especializados existe uma pergunta que é preciso responder: que tipos de empreendimentos poderiam efetivamente resultar dessas propostas entre 2027 e 2030?
Foram analisados os programas dos 4 primeiros candidatos nas pesquisa de intenção de votos: Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury, concentrando nos segmentos diretamente relacionados à engenharia e à construção.Nos programas constam projetos nominalmente identificados, outros em execução com compromissos de continuidade e diretrizes que somente poderão transformar-se em empreendimentos depois de negociação política, estudos, projetos, licenciamento, disponibilidade financeira e definição do modelo de contratação. Para muitos segmentos as propostas são completamente genéricas, sem quantificação, qualificação ou origem dos recursos.
O programa de Lula é particularmente mais genérico porque se referencia à continuidade do PAC e à lista de empreendimentos nele contido. Lula parte de uma carteira já quantificada. O Novo PAC soma atualmente R$ 1,8 trilhão em investimentos previstos, dos quais R$ 1,3 trilhão correspondem ao período até 2026 e R$ 500 bilhões estão programados para depois de 2026, portanto alcançando o próximo mandato presidencial. A carteira reúne hoje mais de 34,8 mil empreendimentos em áreas como transportes, habitação, saneamento, energia e infraestrutura social.
Os quadros anexos apresentam um comparativo central, as principais metas quantitativas e um resumo. Na sequência apresentamos a descrição das propostas dos programas por segmento.


RODOVIAS
Lula
O programa de Lula prevê ampliar o Novo PAC e manter uma combinação entre investimentos públicos e concessões. Nas rodovias, propõe manter as concessões e ampliar investimentos em capacidade, conservação e modernização da malha.
Parte relevante dependeria da seleção dos empreendimentos de uma eventual nova etapa do Novo PAC.
Flávio Bolsonaro
O programa inclui as rodovias no conjunto de investimentos previstos para infraestrutura de transportes, ao lado de ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos.
A estrutura proposta utiliza concessões, PPPs, BNDES e um fundo lastreado na securitização de ativos da União. O programa prevê também os denominados “Corredores Logísticos Inteligentes”, integrando diferentes modais de transporte.
Os potenciais prpjetos rodoviários abrangem duplicações, expansão de capacidade, concessões, sistemas tecnológicos e integração com corredores ferroviários e portuários.
Ronaldo Caiado
O programa propõe integrar rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e armazenagem em corredores logísticos e estabelecer um calendário permanente de leilões de infraestrutura.
A BR-163 aparece entre as infraestruturas consideradas estratégicas no programa.
Augusto Cury
O plano de Cury propõe um “programa nacional de integração logística”, destinado a reduzir custos de transporte e conectar as diferentes regiões do país.
Nas rodovias, apresenta uma proposta específica: duplicar as principais rodovias brasileiras e utilizar PPPs na implantação de empreendimentos associados aos eixos rodoviários.
O denominado projeto BEE prevê instalar polos de comércio popular em intervalos de aproximadamente 10 a 15 quilômetros ao longo das principais rodovias.
FERROVIAS DE CARGA
Lula
O programa prevê ampliar projetos ferroviários mediante novos leilões e repactuação de contratos existentes.
A política inclui expansão da malha, terminais multimodais e maior integração das ferrovias aos demais sistemas de transporte.
Flávio Bolsonaro
O programa apresenta diversos projetos ferroviários nominalmente.Entre eles estão:
Ferrogrão, conclusão e ampliação da Transnordestina, nova ligação ferroviária entre Mato Grosso, oeste do Paraná e Santa Catarina, e Trem do Nordeste, no transporte de passageiros.
A candidatura também integra esses projetos aos Corredores Logísticos Inteligentes.
Ronaldo Caiado
O programa cita entre os corredores ferroviários e logísticos: Ferrogrão, Ferrovia Norte-Sul, FIOL – Ferrovia de Integração Oeste-Leste e Malha Norte.
Esses empreendimentos seriam articulados principalmente às áreas produtoras e aos corredores de exportação.
Augusto Cury
O programa de Cury não apresenta uma relação equivalente de ferrovias individualmente nominadas.
A proposta é criar cinco “Corredores Estratégicos de Exportação”, articulando ferrovias, rodovias, portos e aeroportos nos estados do Ceará, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.
PORTOS, HIDROVIAS E TERMINAIS LOGÍSTICOS
Lula
A continuidade da política atual envolve novos arrendamentos e investimentos portuários. O programa também prevê maior integração entre os diferentes modais.
Flávio Bolsonaro
Portos e hidrovias fazem parte da política de investimentos em transportes. Entre os projetos mencionados está a Hidrovia do Tapajós.
Ronaldo Caiado
O programa propõe ampliar a participação das hidrovias e organizar corredores estratégicos integrados. As hidrovias do Centro-Oeste e Norte são apontadas entre as estruturas destinadas ao escoamento da produção.
Augusto Cury
Portos e logística internacional ocupam posição importante na proposta dos cinco “Corredores Estratégicos de Exportação”. As estruturas previstas estão relacionadas às futuras zonas de exportação situadas no Ceará, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.
AEROPORTOS
Lula
O programa prevê investimentos em aeroportos, com atenção também à infraestrutura regional. As oportunidades podem envolver pistas, terminais, pátios, balizamento, sistemas aeroportuários e modernização de aeródromos.
Flávio Bolsonaro
Aeroportos estão incorporados à política de investimentos em transportes e ao modelo de concessões e participação privada.
Ronaldo Caiado
O programa inclui aeroportos no calendário permanente proposto para projetos e leilões de infraestrutura.
Augusto Cury
Os aeroportos aparecem dentro dos Corredores Estratégicos de Exportação.A proposta relaciona infraestrutura aeroportuária a comércio exterior, logística e atração de investimentos.
ARMAZENAGEM E LOGÍSTICA DO AGRONEGÓCIO
Lula
Os investimentos logísticos vinculados ao Novo PAC podem gerar terminais intermodais e estruturas associadas aos corredores de escoamento agrícola.
Flávio Bolsonaro
Os Corredores Logísticos Inteligentes poderiam estimular terminais, centros de distribuição e instalações de transbordo associados às ferrovias, rodovias, hidrovias e portos.
Ronaldo Caiado
Armazenagem aparece integrada aos corredores estratégicos destinados a conectar as regiões produtoras aos mercados consumidores e aos portos.
Augusto Cury
O plano apresenta uma proposta particularmente explícita para esse segmento. Cury propõe incentivar, por meio de benefícios e parcerias, a construção e ampliação de armazéns, argumentando que a insuficiência de capacidade de armazenagem prejudica o escoamento das safras.
MOBILIDADE URBANA E TRENS DE PASSAGEIROS
Lula
O programa mantém metrôs, trens metropolitanos, VLTs, BRTs e corredores de transporte coletivo dentro da política federal de infraestrutura urbana.
Flávio Bolsonaro
Além do financiamento a metrôs e sistemas sobre trilhos, o programa apresenta o Trem do Nordeste, destinado a conectar capitais da região por ferrovia de passageiros. O projeto exigiria definição futura de traçado, utilização de trechos existentes, novos segmentos, estações, sistemas e material rodante.
Ronaldo Caiado
O programa associa transporte coletivo e planejamento urbano, particularmente na aproximação entre moradia, emprego e corredores estruturantes.
Augusto Cury
O programa prioriza integração logística nacional, mas não apresenta uma carteira nominal de metrôs ou trens urbanos.
HABITAÇÃO E REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA
Lula
O programa prevê continuidade do Minha Casa, Minha Vida, além de Reforma Casa Brasil, urbanização, regularização fundiária, Periferia Viva e melhoria habitacional. A carteira potencial engloba conjuntos residenciais, edifícios, infraestrutura urbana e melhorias em imóveis existentes.
Flávio Bolsonaro
A proposta é retomar o Casa Verde e Amarela, do governo do seu pai, Jair Bolsonaro, com meta declarada de 2,5 milhões de moradias. Também são previstas regularização fundiária e urbanização.
Ronaldo Caiado
O programa contempla novas moradias, melhoria habitacional, urbanização, regularização fundiária e locação social.
Augusto Cury
A proposta é significativamente voltada à regularização fundiária.
O programa estabelece a meta de regularizar 5 milhões de moradias em favelas e comunidades em dez anos, utilizando a REURB, levantamento por drones e satélites e integração com cartórios. A regularização seria acompanhada por intervenções de urbanização.
SANEAMENTO
Lula
A política prevê continuar a ampliação do abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e demais investimentos vinculados à universalização.
Flávio Bolsonaro
O programa reafirma a meta legal de universalização dos serviços até 2033 e prevê expansão dos investimentos em água e esgoto. Também contempla abastecimento de áreas rurais e acesso à água nas escolas.
Ronaldo Caiado
O plano trata saneamento de forma integrada, abrangendo água, esgoto, drenagem e resíduos, prevendo também concessões e PPPs.
Augusto Cury
Cury estabelece como prioridade fazer cumprir o Marco Legal do Saneamento Básico. O próprio plano afirma que milhões de brasileiros ainda não possuem água tratada e tratamento adequado de esgoto e classifica sua universalização como prioridade nacional.
Na urbanização de favelas e comunidades, o programa prevê ainda investimentos em saneamento associados à regularização fundiária.
DRENAGEM, ENCOSTAS E RESILIÊNCIA CLIMÁTICA
Lula
A política urbana prevê drenagem, contenção de encostas e intervenções destinadas à prevenção de desastres.
Flávio Bolsonaro
Drenagem aparece associada às políticas de saneamento e urbanização, enquanto o programa também apresenta uma extensa agenda de segurança hídrica regional.
Ronaldo Caiado
O programa inclui drenagem entre os componentes da política de saneamento e infraestrutura urbana.
Augusto Cury
O tema aparece de maneira explícita no programa. Nas comunidades a serem regularizadas, prevê saneamento, drenagem e contenção de encostas, com participação de conselhos locais na definição das intervenções.
Há ainda uma diretriz geral segundo a qual novas obras públicas deverão considerar eventos climáticos extremos, incorporando tecnologias modernas, materiais sustentáveis e soluções de engenharia resiliente.
OBRAS HÍDRICAS
Lula
Segurança hídrica permanece dentro da política do Novo PAC, envolvendo adutoras, canais, barragens e sistemas de abastecimento.
Flávio Bolsonaro
O programa apresenta uma relação de empreendimentos, principalmente no Nordeste, incluindo projetos como:Ramal do Apodi, Ramal do Salgado, Adutora do Seridó, Canal do Xingó, Ramal do Piancó, Canal do Sertão Baiano, Canal do Sertão Piauiense, Canal do Sertão Alagoano e duplicação do Eixão das Águas. Parte desses projetos já existe ou está em execução; nesses casos, a proposta eleitoral corresponde à continuidade, conclusão ou ampliação.
Ronaldo Caiado
O programa não apresenta uma relação equivalente de grandes canais e adutoras, podendo esses empreendimentos integrar a carteira nacional de infraestrutura a ser estruturada.
Augusto Cury
O programa enfatiza universalização do saneamento e infraestrutura resiliente, mas não apresenta uma lista semelhante de grandes canais, adutoras ou obras de integração hídrica nominalmente identificadas.
ENERGIA
Lula
O programa prevê expansão das fontes renováveis, transmissão, armazenamento e biocombustíveis.
Flávio Bolsonaro
O programa prevê expansão da oferta de gás e mudanças nos encargos do setor elétrico. Flávio também passou a defender durante a campanha a conclusão de Angra 3, com possibilidade de participação privada.
Ronaldo Caiado
A política econômica apresentada pela candidatura inclui redução do custo de energia e gás e revisão de subsídios e encargos. Os possíveis investimentos físicos dependem das medidas regulatórias e decisões empresariais decorrentes da política.
Augusto Cury
Energia é um dos pontos de infraestrutura mais definidos no programa. O plano estabelece a meta de alcançar 90% de matriz energética limpa até 2040 e propõe desenvolver o país como produtor e exportador de hidrogênio verde. Também aparece a expansão da energia eólica offshore. A Zona Franca de Exportação proposta para Fortaleza teria entre suas especializações justamente energia renovável e hidrogênio verde.
INFRAESTRUTURA INDUSTRIAL
Lula
A política de neoindustrialização associa investimentos em infraestrutura ao desenvolvimento da indústria nacional, à inovação, à descarbonização e à produção de equipamentos.
Flávio Bolsonaro
A infraestrutura industrial aparece principalmente associada à logística, energia, gás, data centers e atração de investimento privado.
Ronaldo Caiado
O programa relaciona infraestrutura e energia à competitividade da produção brasileira e à redução dos custos logísticos.
Augusto Cury
Esse é um componente relevante do programa. Cury propõe estimular a implantação de 10 mil novas indústrias, associando política industrial, tecnologia e corredores de exportação. As cinco zonas propostas seriam: Fortaleza, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.
INFRAESTRUTURA DIGITAL E DATA CENTERS
Lula
Digitalização e desenvolvimento tecnológico aparecem associados à política industrial e à expansão da conectividade.
Flávio Bolsonaro
Data centers aparecem expressamente entre as políticas defendidas pela equipe econômica, relacionando a atração desses investimentos à disponibilidade e ao custo de energia.
Ronaldo Caiado
O programa contempla digitalização e aplicação de inteligência artificial em diferentes áreas públicas, o que pode exigir expansão da infraestrutura tecnológica.
Augusto Cury
A universalização da infraestrutura digital é uma proposta expressa. O programa prevê levar internet de alta velocidade a escolas, hospitais, comunidades rurais e regiões remotas. O programa também atribui grande importância à inteligência artificial e à robótica.
CONCESSÕES, PPPS E FINANCIAMENTO
Lula
O modelo combina recursos públicos, financiamentos, investimentos de empresas estatais e participação privada, tendo o Novo PAC como instrumento central.
Flávio Bolsonaro
Concessões e PPPs são instrumentos previstos para a infraestrutura de transportes, juntamente com financiamento e utilização de ativos da União.
Ronaldo Caiado
O programa prevê calendário permanente de concessões e PPPs e estruturação prévia dos projetos.
Augusto Cury
O plano também prevê participação privada e PPPs em grandes projetos, além da utilização de capital privado e internacional. O projeto BEE para os corredores rodoviários é explicitamente concebido com participação de PPPs. O candidato também propõe reorganizar o BNDES, separando estruturas destinadas a grandes empresas e ao financiamento de microempreendedores.
OBRAS PARALISADAS E MANUTENÇÃO
Lula
A continuidade do Novo PAC envolve conclusão e reprogramação de empreendimentos existentes, além da seleção de novos projetos.
Flávio Bolsonaro
Diversos empreendimentos nominados no programa já estão em diferentes estágios de implantação, de modo que parte da agenda seria formada por conclusão ou ampliação de obras existentes.
Ronaldo Caiado
O programa prevê realizar uma triagem nacional das obras públicas paralisadas e decidir se cada empreendimento deverá ser concluído, transferido à iniciativa privada ou formalmente encerrado.
Augusto Cury
O programa dá maior ênfase a eficiência dos investimentos, avaliação permanente das políticas públicas e controle de gastos com apoio de tecnologia.Não apresenta, porém, uma política de triagem de obras paralisadas com o mesmo formato específico.
O QUE PODE SE TRANSFORMAR EM OBRAS ENTRE 2027 E 2030?
A leitura temática dos quatro programas permite reunir uma extensa relação de possíveis mercados para a engenharia e construção.
Rodovias: duplicações, concessões, recuperação, manutenção e corredores de serviços.
Ferrovias: Ferrogrão, Transnordestina, FIOL, Norte-Sul, novas ligações, corredores de exportação e terminais.
Portos e hidrovias: terminais, acessos, instalações logísticas e corredores multimodais.
Mobilidade: metrôs, trens metropolitanos e projetos ferroviários de passageiros.
Aeroportos: modernização, terminais regionais e logística de cargas.
Habitação: produção residencial, melhorias, regularização fundiária e urbanização.
Saneamento: água, esgoto, drenagem e resíduos.
Obras hídricas: canais, ramais, adutoras e sistemas de segurança hídrica.
Energia: renováveis, transmissão, gás, energia nuclear, armazenamento e hidrogênio verde.
Infraestrutura industrial: novas plantas, zonas de exportação, distritos industriais e centros logísticos.
Infraestrutura digital: telecomunicações, conectividade e instalações ligadas ao processamento de dados.
Armazenagem: silos, armazéns e terminais associados ao agronegócio.
Observação: Esse levantamento da ConVisão CNC foi elaborado a partir dos programas registrados no TSE e de manifestações públicas das candidaturas disponíveis até 31 de agosto de 2026. Evidentemente, a apresentação de um empreendimento nesta relação não significa que sua contratação ou execução esteja assegurada. Projetos já existentes podem representar, nos respectivos programas, compromisso de continuidade, conclusão, ampliação ou reestruturação.










