Painel reunirá especialistas em energia solar, eólica, nuclear, hidrelétrica e planejamento para discutir como garantir oferta, segurança e competitividade energética para o desenvolvimento do país
O Brasil quer crescer, ampliar sua infraestrutura, atrair novas indústrias, avançar na digitalização, produzir hidrogênio de baixo carbono, eletrificar atividades econômicas e receber empreendimentos cada vez mais intensivos no consumo de energia. Mas tudo isso parte de uma condição básica:
haverá energia suficiente, segura e competitiva para sustentar esse crescimento?
Essa será a questão central do painel “Energia para crescer: de que matriz e ações práticas o Brasil precisa?”, que integra a programação da Semana Nacional da Engenharia 2026, no dia 6 de outubro, às 15h, no Instituto de Engenharia, em São Paulo.
O encontro reunirá representantes de diferentes segmentos do setor energético para discutir não apenas a composição da matriz brasileira, mas principalmente as decisões que precisam ser tomadas para transformar potencial energético em capacidade efetivamente disponível para a economia. Participarão do debate João Carlos de Souza Meirelles, ex-secretário de Estado de Energia e Mineração de São Paulo; Rodrigo Pedroso, vice-presidente da Absolar; Elbia Gannoum, presidente executiva da ABEEólica; e Leonam dos Santos Guimarães, assessor da diretoria da Amazul, de energia nuclear. A moderação será de Cristiano Kok, Eminente Engenheiro do Ano de 2003, especialista em hidrelétrica.
Visão Esquemática
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Não basta produzir energia. É preciso tê-la onde e quando ela é necessária
A discussão sobre a matriz energética brasileira mudou. Durante muito tempo, a questão central esteve concentrada na disponibilidade de recursos naturais e na capacidade de geração. Hoje, o desafio é mais amplo.
Fontes renováveis como solar e eólica avançaram e assumiram importância crescente no setor elétrico. Ao mesmo tempo, a expansão dessas fontes exige novas soluções de integração, transmissão, armazenamento e estabilidade do sistema. A geração precisa estar conectada às redes. A oferta precisa acompanhar a demanda. O sistema precisa responder às variações entre diferentes fontes e garantir confiabilidade ao consumidor.
Em outras palavras, ter potencial energético não é o mesmo que ter energia disponível para crescer.
Solar, eólica, nuclear: concorrentes ou complementares?
Uma das questões centrais do painel será justamente a complementaridade entre diferentes fontes. O Brasil reúne condições naturais favoráveis para ampliar fortemente a geração solar e eólica. Ao mesmo tempo, a geração nuclear permanece no debate sobre segurança energética e fornecimento contínuo. A pergunta, portanto, não precisa ser qual fonte deve substituir as demais. Pode ser outra:
qual combinação de fontes oferece ao Brasil a melhor relação entre segurança, custo, disponibilidade e sustentabilidade?
Essa discussão ganha ainda mais importância diante da necessidade de fornecer energia 24 horas por dia para atividades industriais, hospitais, sistemas de transporte, telecomunicações, mineração, data centers e outras infraestruturas críticas.
O novo consumo de energia pode mudar o planejamento brasileiro
A transição energética ocorre ao mesmo tempo em que novas demandas começam a surgir. A expansão dos data centers, o avanço da inteligência artificial, a eletrificação de processos industriais, novas soluções de mobilidade, a produção de hidrogênio e a própria descarbonização de atividades econômicas podem elevar significativamente a necessidade de eletricidade.
O desafio passa a ser antecipar esse crescimento. Não se constrói uma grande usina, uma linha de transmissão ou uma infraestrutura energética estratégica de um dia para o outro. Projetos dessa natureza exigem planejamento, licenciamento, engenharia, financiamento, equipamentos e obras de longa maturação. Por isso, decisões tomadas agora podem determinar a capacidade do Brasil de receber grandes investimentos nos próximos anos.
Energia competitiva também é política industrial
A questão energética não está separada da competitividade do país. Para diversos setores industriais, o custo e a confiabilidade da energia influenciam diretamente a decisão de investir, ampliar uma planta ou escolher uma determinada região para instalar um novo empreendimento. Assim, a política energética também se conecta à política industrial, à infraestrutura e à atração de capital.
A disponibilidade de fontes renováveis pode representar uma vantagem brasileira em um cenário no qual empresas internacionais procuram reduzir emissões de suas cadeias produtivas. Mas essa vantagem só se materializa se houver infraestrutura capaz de entregar energia com confiabilidade e preços competitivos.
Da discussão da matriz às ações concretas
O próprio título do painel acrescenta uma dimensão importante: ações práticas. Isso significa ir além da discussão conceitual sobre quais fontes deveriam crescer.
Entre as questões que poderão estar no centro do debate estão a expansão da transmissão, o armazenamento de energia, a segurança regulatória, o financiamento de projetos, o planejamento de longo prazo, a modernização do sistema elétrico, a integração entre diferentes fontes e a formação de uma cadeia produtiva nacional capaz de acompanhar os investimentos. Também será possível discutir como reduzir o intervalo entre o anúncio de grandes investimentos e a disponibilização efetiva da infraestrutura energética necessária para atendê-los.
Engenharia no centro da transformação
Poucos setores mostram tão claramente a importância da Engenharia quanto o de energia. Cada nova fonte exige projetos, equipamentos, infraestrutura, redes, sistemas de controle, obras civis, montagem, operação e manutenção.
A transformação da matriz energética brasileira representa, portanto, não apenas um desafio de planejamento, mas também um enorme campo de atuação para engenheiros, empresas de projeto, construtoras, fabricantes e fornecedores. E quanto mais diversificada se tornar a matriz, maior será a necessidade de integração entre diferentes especialidades.
Energia para crescer — mas como?
O Brasil possui recursos energéticos diversificados e condições para ampliar diferentes fontes. O desafio agora é transformar esse potencial em uma estratégia capaz de acompanhar as ambições de desenvolvimento do país.
Quanto de solar? Quanto de eólica? Qual o espaço da energia nuclear? Como garantir potência firme? Quanto será necessário investir em redes e armazenamento? Como conciliar competitividade, segurança energética e sustentabilidade? E, principalmente:
quais decisões precisam ser tomadas agora para que não falte energia quando o Brasil precisar crescer?
É a partir dessas questões que a Semana Nacional da Engenharia colocará em debate:
Energia para crescer: de que matriz e ações práticas o Brasil precisa?
Seminário Presencial
6 de outubro de 2026, às 15h
Sede do Instituto de Engenharia
R. Dante Pazzanese, 120, Vila Mariana, São Paulo, SP
Ingressos R$ 150,00 por pessoa. Associados do Instituto de Engenharia estão isentos, mas precisam reservar.










