Painel de abertura reunirá lideranças da infraestrutura, engenharia consultiva, montagem industrial e poder público para discutir como a inteligência artificial está transformando a Engenharia — e qual continuará sendo o papel das pessoas nesse novo cenário
A Inteligência Artificial já começou a mudar a forma de projetar, construir, operar infraestruturas, analisar informações e tomar decisões. Mas, diante de uma transformação tecnológica cada vez mais acelerada, uma questão se torna central: o ser humano continuará sendo a base do futuro da Engenharia? Essa será a provocação que abrirá a Semana Nacional da Engenharia 2026, no dia 6 de outubro, às 9h, na sede do Instituto de Engenharia, em São Paulo. O evento é organizado pela entidade em conjunto com a ConVisão CNC.
Com o título “Com a inteligência artificial o ser humano ainda será a base do futuro da Engenharia?”, o painel reunirá algumas das principais lideranças de entidades representativas da engenharia, infraestrutura e construção do país, além do poder público. Participarão do debate Venilton Tadini, presidente executivo da Abdib; José Alberto Pereira Ribeiro, presidente da Brasinfra; Russell Ludwig, presidente do Sinaenco Nacional; Nelson Romano, presidente da Abemi; e Marcos Monteiro, secretário da SIURB da Prefeitura de São Paulo. A moderação será de Regis Gehlen Oliveira, presidente da Semana Nacional da Engenharia. A abertura será feita por José Eduardo Jardim, presidente do Instituto de Engenharia.
A Engenharia diante de uma mudança de era
Muito além da automação de tarefas, a inteligência artificial já começa a interferir em praticamente todas as etapas dos empreendimentos de engenharia. Ferramentas capazes de analisar grandes volumes de dados, simular alternativas de projeto, antecipar riscos, otimizar cronogramas, apoiar orçamentos, acompanhar obras e auxiliar a operação de ativos tendem a se incorporar cada vez mais à rotina das empresas e dos profissionais. Ao mesmo tempo, esse avanço levanta questões que extrapolam a tecnologia.
Quem será responsável pelas decisões tomadas com auxílio de algoritmos? Como ficará a formação dos novos engenheiros? Quais funções serão transformadas? Que novas competências serão exigidas? E até onde a tecnologia poderá substituir atividades hoje essencialmente humanas?
O painel pretende justamente colocar essas questões em discussão sob diferentes perspectivas.
Tecnologia ou pessoas? Talvez a questão seja outra
A chegada da inteligência artificial costuma alimentar previsões sobre substituição de profissionais. Na Engenharia, porém, o debate pode assumir outra dimensão. Grandes projetos continuam exigindo capacidade de decisão, responsabilidade técnica, experiência, visão sistêmica e compreensão das consequências econômicas, ambientais e sociais de cada escolha.
A IA pode ampliar extraordinariamente a capacidade de processamento e análise, mas a Engenharia não se resume ao cálculo. Ela envolve julgamento. Envolve escolhas. Envolve responsabilidade. E, sobretudo, envolve consequências concretas sobre cidades, empresas e pessoas.
Por isso, uma das questões que devem atravessar o debate é se a verdadeira transformação estará na substituição do engenheiro ou no surgimento de um engenheiro potencializado pela inteligência artificial.
Impactos sobre empresas, projetos e infraestrutura
A composição do painel permitirá discutir a transformação a partir de diferentes segmentos da cadeia da Engenharia. A infraestrutura brasileira enfrenta simultaneamente a necessidade de ampliar investimentos, aumentar produtividade, reduzir custos, diminuir prazos e melhorar a qualidade dos projetos e das obras. Nesse cenário, a inteligência artificial pode se tornar uma ferramenta de competitividade.
Empresas de projeto e engenharia consultiva começam a incorporar novas tecnologias à elaboração e análise de projetos. Construtoras e empresas de montagem podem utilizar dados e inteligência computacional para planejamento, produtividade e gestão de riscos. Gestores públicos passam a contar com instrumentos mais sofisticados para planejamento e acompanhamento de investimentos.
Mas o avanço tecnológico também traz desafios relacionados à confiabilidade das informações, segurança dos dados, qualificação profissional, responsabilidade técnica e limites para a utilização de sistemas automatizados.
E que engenheiro será necessário daqui para frente?
O debate também coloca em pauta uma mudança importante na própria formação profissional. Se determinadas atividades repetitivas ou analíticas puderem ser executadas de maneira cada vez mais rápida por sistemas de inteligência artificial, o valor do engenheiro pode migrar ainda mais para competências como capacidade de formular problemas, interpretar resultados, integrar conhecimentos, tomar decisões e compreender impactos. Em outras palavras, quanto mais inteligência artificial estiver disponível, maior poderá ser a importância da inteligência humana naquilo que ela tem de mais difícil de automatizar.
Essa discussão ganha relevância especial em um momento em que o Brasil também enfrenta o desafio de atrair novos jovens para os cursos de Engenharia e formar profissionais preparados para um ambiente tecnológico muito diferente daquele existente há apenas alguns anos.
Uma pergunta para abrir uma semana de debates
Ao escolher a inteligência artificial e o papel do ser humano como tema de abertura, a Semana Nacional da Engenharia pretende iniciar sua programação olhando para uma questão que atravessa praticamente todos os setores da profissão. Transportes, energia, indústria, construção, saneamento, mobilidade, infraestrutura urbana e grandes empreendimentos já estão sendo impactados pela transformação digital. Por isso, a pergunta que dará início à Semana talvez não tenha uma resposta simples:
Com a inteligência artificial, o ser humano ainda será a base do futuro da Engenharia?
A resposta começará a ser construída no dia 6 de outubro de 2026, às 9h, na abertura da Semana Nacional da Engenharia, promovida pelo Instituto de Engenharia em conjunto com a ConVisão CNC.
Clique no botão abaixo para se inscrever. O preço é de R$ 150,00 por pessoa. Associados do Instituto de Engenharia estão isentos, mas precisam reservar.
