Estado de SP | ConVisão CNC compara os programas dos dois candidatos em transportes, mobilidade, habitação, saneamento, energia, infraestrutura digital e resiliência climática
A disputa pelo governo de São Paulo em 2026 coloca frente a frente duas estratégias diferentes para infraestrutura dos dois candidatos que se apresentam nas pesquisas como os principais postulantes ao cargo.
De um lado, Tarcísio de Freitas, atual governador, parte de uma carteira já estruturada de concessões, PPPs e grandes obras em andamento. De outro, Fernando Haddad apresenta um programa mais baseado em diretrizes, com foco em expansão dos serviços públicos, integração entre políticas e maior fiscalização dos contratos.
Para o mercado de engenharia e construção, a pergunta central é simples: que tipos de obras e investimentos podem resultar de cada programa entre 2027 e 2030?
A ConVisão CNC analisou os dois planos por segmento. Os quadros a seguir trazem análises sintéticas.


Transportes e logística
Tarcísio pretende manter a política de concessões e ampliar a participação privada em infraestrutura. O programa trabalha com uma meta global de cerca de R$ 500 bilhões em investimentos públicos e privados em quatro anos. A carteira potencial inclui concessões rodoviárias, ampliações de capacidade, recuperação de estradas, trens intercidades, expansões metroferroviárias e novos projetos logísticos.
Haddad propõe ampliar a infraestrutura de transportes, com destaque para a expansão do sistema sobre trilhos e melhoria das estradas vicinais, especialmente aquelas ligadas ao escoamento da produção agrícola. Seu programa, porém, não define valores, quilômetros ou projetos específicos para a maior parte dessas propostas.
Metrô, CPTM e Trens Intercidades
Tarcísio pretende dar continuidade à carteira já em andamento, incluindo o Trem Intercidades Eixo Norte, novos eixos em estruturação e expansões do Metrô e da CPTM. Também devem atravessar o próximo mandato projetos já em execução, como a Linha 6-Laranja.
Haddad afirma que pretende ampliar o transporte sobre trilhos e melhorar a integração entre modais, mas não especifica quais linhas ou projetos seriam priorizados. Uma questão importante para o mercado será saber se um eventual governo Haddad manterá a atual configuração dos Trens Intercidades.
Habitação
Tarcísio propõe continuidade e ampliação das políticas habitacionais estaduais, incluindo apoio aos municípios e regularização fundiária.
Haddad defende prioridade para habitação de interesse social, integração com programas federais e municipais e melhoria de moradias existentes.
Nenhum dos dois programas apresenta, até o momento, uma meta global de novas unidades para o próximo mandato.
Saneamento
Tarcísio propõe continuidade da universalização e expansão dos serviços, apoiado na estrutura de concessões já existente.
Haddad também assume a universalização como objetivo, mas dá maior ênfase à fiscalização dos contratos e à qualidade dos serviços.
Na prática, ambos os programas podem gerar investimentos em ETAs e ETEs, adutoras, redes de água e esgoto, reservatórios, interceptores e drenagem. A diferença está mais no modelo de gestão e regulação do que no tipo de obra.
Rio Tietê e infraestrutura hídrica
Tarcísio pretende continuar programas como o IntegraTietê, que já possui investimentos programados até 2029.
Haddad propõe proteção de mananciais, segurança hídrica e prevenção de riscos, mas sem detalhar obras específicas.
Nesse segmento, a carteira pode envolver saneamento, drenagem, desassoreamento, recuperação ambiental e controle de enchentes.
Resiliência climática
Tarcísio estabelece uma meta de mais de R$ 25 bilhões em ações de adaptação e resiliência até 2029. As oportunidades podem incluir drenagem, contenção de encostas, reservatórios, recuperação de áreas vulneráveis e proteção contra enchentes.
Haddad propõe mapear áreas de risco climático e fortalecer a prevenção de desastres, o que pode gerar inicialmente demanda por estudos, geotecnia, sensoriamento, projetos hidráulicos e, posteriormente, obras de contenção e drenagem.
Energia
Tarcísio pretende avançar com o Plano Estadual de Energia 2050 e com um plano decenal até 2034. A política pode estimular investimentos em geração, transmissão, biometano, eficiência energética e infraestrutura para grandes consumidores.
Haddad trata energia de forma mais vinculada ao desenvolvimento econômico e à sustentabilidade, sem metas físicas definidas.
Data centers e infraestrutura digital
Os dois programas demonstram interesse nesse segmento.
Tarcísio propõe desenvolver uma infraestrutura digital estratégica para o Estado, envolvendo inteligência artificial, supercomputação, armazenamento e transmissão de dados.
Haddad defende atrair data centers limpos e centros empresariais de pesquisa.
Para a engenharia, isso pode significar oportunidades em edificações técnicas, subestações, sistemas elétricos, refrigeração, telecomunicações, fibra óptica e infraestrutura de energia.
Concessões e PPPs
Tarcísio pretende manter e ampliar o modelo de concessões e PPPs, um dos principais instrumentos da atual política estadual.
Haddad não propõe uma ruptura generalizada dos contratos existentes. Seu programa sugere manutenção dos contratos com maior ênfase em fiscalização, regulação e cumprimento de metas.
Essa diferença pode ser relevante principalmente em rodovias, saneamento, mobilidade e equipamentos públicos.
Projetos que podem atravessar 2027–2030
Entre os principais empreendimentos que podem continuar no próximo mandato estão:
- Trem Intercidades Eixo Norte;
- futuros TICs Sul, Leste e Oeste;
- expansões do Metrô e CPTM;
- Linha 6-Laranja;
- IntegraTietê;
- concessões rodoviárias;
- Centro Administrativo de Campos Elíseos;
- expansão dos investimentos em saneamento;
- infraestrutura digital e data centers;
- projetos de adaptação climática e segurança hídrica.
Em boa parte desses casos, Tarcísio indica continuidade explícita.
Haddad, por outro lado, apresenta diretrizes gerais para vários desses segmentos, mas ainda não se posicionou de forma específica sobre todos os projetos em andamento.
Duas estratégias diferentes
A diferença entre os programas aparece também na forma como são apresentados.
Tarcísio parte de uma carteira já existente, estruturada e parcialmente contratada, com forte presença de capital privado, concessões e PPPs.
Haddad apresenta um programa mais orientado por políticas públicas e diretrizes, com menor nível de detalhamento financeiro e físico.
Isso não permite concluir, por si só, qual programa geraria mais obras. Para o mercado de engenharia, será necessário acompanhar as próximas definições das campanhas, principalmente sobre:
quais projetos serão mantidos;
quais novas concessões serão lançadas;
quanto será investido em mobilidade e habitação;
qual será o destino dos projetos em estruturação;
e quais empreendimentos efetivamente poderão chegar ao mercado entre 2027 e 2030.
É essa transformação de diretrizes eleitorais em uma carteira prospectiva de obras que continuará sendo acompanhada pela ConVisão CNC.
Fontes: levantamento elaborado com base nos programas de governo e informações públicas disponíveis até 31 de agosto de 2026.










